Projeto cultural valoriza a memória e a identidade barbacenenses

Visita Guiada ao Patrimônio Cultural completa 13 anos de existência com 250 roteiros realizados pelo centro da cidade

Um roteiro pelo centro da cidade em que o patrimônio cultural é o grande atrativo, com guias relatando a história da cidade realizando jogos lúdicos em que a arquitetura é o destaque, revelando uma Barbacena que escapa ao olhar cotidiano. Assim surgiu em 2009 o projeto Visita Guiada ao Patrimônio Cultural de Barbacena, que comemora 13 anos na semana que vem com o significativo número de 250 passeios com estudantes de todas as idades e outros tipos de grupos, inclusive turistas e da terceira idade.

Idealizado pelo arquiteto e urbanista Sérgio Cardoso Ayres e pelo filósofo Cláudio Guilarduci, o projeto representa a maior atividade regular na área de educação patrimonial no município. “É uma alegria imensa chegar a 250 visitas ensinando e aprendendo com jovens e adultos o que é nossa identidade e o que isso representa para a memória coletiva”, disse o arquiteto.

O projeto, que tem uma longa trajetória que inclui a aprovação no Fundo Estadual de Cultura/MG, inclusão no programa do ICMS Cultural da cidade, tema de projeto de iniciação científica do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presidente Antônio Carlos (Unipac) e que atualmente tem o apoio do Ministério Público através da Associação Regional de Proteção Ambiental (ARPA), já se tornou uma referência cultural do município, sendo corriqueiro encontrar grupos de jovens em divertidas aulas procurando detalhes culturais pela rua Quinze de Novembro.

Entre as instituições que participaram do roteiro estão várias escolas, como Pio XI, Adelaide Bias Fortes, Instituto Federal, Rabicó, São Miguel Arcanjo, Bias Fortes, Criança e Companhia, Amílcar Savassi, Unipac, entre muitos outros. “Nossa metodologia também trabalha a cidade como espaço e representação social e a valorização do patrimônio, utilizando a história e a cultura como eixos”, afirma Ayres.

Para ele, a ausência oficial no currículo base do ensino fundamental e médio de disciplinas sobre a história local e regional gera o desconhecimento do patrimônio cultural da comunidade. “Nossa memória sobrevive graças ao desempenho dos professores, que incluem os conteúdos em disciplinas como história e geografia”, destaca. “O Projeto Rizoma de iniciação científica que desenvolvemos, já apresentado num Congresso de Arquitetura, demonstra que o desconhecimento da memória leva ao abandono do patrimônio material e imaterial”, diz ele, ressaltando que Barbacena necessita revitalizar a Escola Municipal de Educação Patrimonial, criada por lei, mas inativa. “Educar é fortalecer a memória e valorizar a identidade”, conclui o arquiteto Sérgio Cardoso Ayres.

Letícia Bispo e Sérgio Ayres: guias culturais do projeto
Grupo de estudantes participando de uma das visitas guiadas ao patrimônio cultural de Barbacena (Fotos: Divulgação)

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