DOENÇA MISTERIOSA – Laudo da Polícia Civil aponta presença de substância tóxica em cerveja mineira

Oito pessoas foram internadas em Minas Gerais com quadro de insuficiência renal e alterações neurológicas; uma morreu em um hospital de Juiz de Fora

Paulo Emílio Gonçalves/Portal CB

A Polícia Civil (PC) de Minas Gerais emitiu um laudo preliminar nesta quinta-feira (09), onde aponta contaminação com a substância dietilenoglicol em duas amostras da cerveja “Belorizontina”, pertencente à cervejaria Backer, que pode ter sido a causa da doença misteriosa que acometeu oito pessoas em Minas Gerais esta semana, com quadro de insuficiência renal aguda e alterações neurológicas.

Peritos da PC foram até à fábrica da cerveja, em Belo Horizonte (foto), com o objetivo de investigar a possível contaminação. Até o momento, uma pessoa da cidade de Ubá, na Zona da Mata, morreu em um hospital de Juiz de Fora e sete ainda estão internadas em hospitais da região metropolitana de Belo Horizonte com a doença misteriosa. Segundo a polícia, foram encontradas garrafas da cerveja Belorizontina nas casas desses pacientes.

O dietilenoglicol é um anticongelante que geralmente é utilizado no processo de resfriamento de toneis de cerveja, através de serpentina, ou seja, não entra em contato com o produto. A substância tem cor clara, viscosa, não tem cheiro e tem um gosto adocicado. A ingestão pode causar intoxicação com sintomas de insuficiência renal e problemas neurológicos. Desde 1937 já foram registrados vários casos de intoxicação em diversos países.

O laudo da Polícia Civil diz que “nas duas amostras de cerveja encaminhadas pela vigilância sanitária do município de Belo Horizonte (cerveja pilsen marca Belorizontina lotes L1 1348 e L2 1348) foi identificada a presença da substância dietilenoglicol em exames preliminares”. O perito criminal da PC ressaltou que estas garrafas foram recebidas lacradas e acondicionadas em envelopes de segurança da vigilância sanitária.

A cervejaria Backer emitiu uma nota explicando que não utiliza o produto dietilenoglicol na produção da cerveja Belorizontina, mas que, por precaução, vai retirar imediatamente do mercado os lotes L1 1348 e L2 1348, citados pela Polícia Civil como suspeitos de estarem contaminados.

A indústria informou ainda que está à disposição das autoridades para contribuir com a investigação e tem total interesse que as causas sejam apuradas, até a conclusão dos laudos e investigação.

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