Grupo Ponto de Partida aponta medidas para reconstruir a reserva ambiental queimada na semana passada

Incêndio consumiu cerca de 500 metros quadrados de mata na área de preservação ambiental da antiga Sericícola

Paulo Emílio Gonçalves/Portal CB

O grupo Ponto de Partida divulgou ontem, segunda-feira (15), uma carta à população de Barbacena lamentando o incêndio ocorrido há uma semana na área de preservação ambiental da antiga Sericícola, onde funciona atualmente a Estação Ponto de Partida e a Bituca – Universidade de Música Popular, e citando algumas medidas que precisam ser tomadas para o restabelecimento da reserva ambiental.

O incêndio ocorreu na terça-feira da semana passada, dia 9, e destruiu cerca de 500 metros quadrados de mata, atingindo também mudas que foram plantadas recentemente por ambientalistas e entidades parceiras durante um projeto de conservação ambiental.

De acordo com o que foi apurado no local, havia vários focos de incêndio naquela área, o que levantou a suspeita de uma possível ação criminosa.

Entre as medidas citadas pelo grupo teatral barbacenense na carta, que foi divulgada em uma rede social, está a necessidade de recursos para contratar profissionais do campo para coroar todas as mudas e fazer um acero protetor, e de um caminhão de esterco para fazer um composto orgânico que vai ajudar no fortalecimento das mudas que queimaram. O Ponto de Partida solicita, também, entre outras coisas, que a Prefeitura providencie o corte do mato e retire o entulho e o lixo que invadiram a rua.

Confira abaixo a íntegra da carta postada pelo grupo Ponto de Partida.

Amigos não é possível encontrar as palavras exatas para definir nossos sentimentos em relação ao incêndio criminoso na Reserva Ambiental de Barbacena. Perplexidade. Indignação. Dor. O desentendimento total do que motiva um ser humano a destruir o que é de todos. O que precisa de cuidados permanentes e se fortalece aos poucos, porque natureza é assim, ligada a seu tempo, às suas estações.

Ao mesmo tempo a alegria de saber como tantos reagiram e não estão dispostos a trocar vida por morte, harmonia por agressão, construção de futuro por apatia. Sabemos disso: o povo de Barbacena não se submete! A reserva é da cidade e ninguém será capaz de tirar do povo dessa cidade o que ele resolveu construir. O legado que cada um de nós quer plantar e deixar para os filhos e netos. Nossa contribuição para o equilíbrio do universo que protegemos naquela reserva.

Bom poder contar que o cercamento já possibilitou que muitas espécies nativas voltassem a crescer. O capim gordura, pintado de bonina, se mistura ao amarelo dos primeiros pezinhos de macela, que recomeçam a florescer e aos poucos teremos campos de flores para passear. Quantidade de passarinho, que é tímido e se esconde, mas que canta das pequenas árvores que crescem. A águas das minas aumentam a cada dia e foram elas que deixamos jorrar, como curativo para a terra agredida. O amor e o cuidado que cada um de nós colocou no plantio continua lá e há de ajudar a vida resistir.

Como tanta gente pergunta como pode ajudar deixamos aqui algumas sugestões.

O que precisamos de concreto:

– Que a Prefeitura corte o mato e retire o entulho e o lixo que tomam conta da rua. É fundamental que a população possa enxergar a reserva quando passa pela rua.

– Recursos para contratar um grupo de profissionais do campo para coroar todas as mudas e fazer um acero protetor.

– É fundamental ter um profissional permanente trabalhando no cuidado e, de certa forma, na segurança.

– Um caminhão de esterco para fazer um composto orgânico que vai ajudar no fortalecimento das mudas que queimaram, mas que têm possibilidade de sobreviver.

Mas principal, todos nós juntos, dispostos a construir ou reconstruir, depois dessa pandemia, um mundo mais apropriado para as borboletas e os meninos.

“A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece e a terra maternalmente se enfeitará para as festas da sua perpetuação.”

O incêndio ocorreu no dia 9 e destruiu cerca de 500 metros quadrados da reserva ambiental (Foto: Arquivo/CB)
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