A morte e nada mais!

Sérgio Cardoso Ayres*

Contra a morte não há argumento que perdure. Morremos e ponto final. Ou de exclamação! Quem sabe até de interrogação? As palavras neste instante ficam quase que inexpressivas diante do cronista que quer prestar uma homenagem a um amigo que se foi: Luís Dias da Silva, o Peninha (foto), figura carismática, emblemática e fundamental para quem quer entender a história de Barbacena dos anos 80 até hoje, 9 de setembro de 2020, data da sua morte. Que tristeza!

Tive, como muitos, a sorte de conhecer e realizar tantos projetos juntos. Tempos do Jornal Cidade de Barbacena, das quintas alternativas no Gino’s, do Jornal de Sábado, do vídeo “Lugar Nenhum”, das campanhas políticas do meu irmão Fred, do programa Zoom na Rádio Sucesso, das caminhadas pelas noites adentro, das conversas com e sem sentido, das discussões literárias, dos sonhos de uma geração, de sua voz marcante de locutor nas FMs da cidade. Enfim, de partilhar a vida enquanto a morte parecia algo tão distante e impossível. 

Que ilusão! De repente, quando estávamos distraídos, embalados pelos dias e perturbados pelas noites insones, eis que a morte mostra a sua cara, nem feia e nem bonita. Um rosto inexpressivo. A morte, e nada mais.

Nem deu tempo, depois do seu retorno à Barbacena, de conversar como fazíamos antigamente. Nosso último contato foi literário, quando escrevi o prefácio de seu último livro. Depois, um papo casual na rua. E, agora, nunca, nunca mais, como disse o corvo do Poe. Claro que tenho muitas recordações, fatos e risadas para dar com as lembranças, o que farei por muito tempo. Mas só depois das lágrimas de hoje. É o tempo e o ritual da morte.

Eu continuo por aqui, como também o Edson, Marcelo, Paulo Emílio, Léo Prenassi, sua esposa Fernanda, seu filho Luan e tantos outros. Você já se foi! Que pena….!

(*Sérgio Cardoso Ayres é membro da Academia Barbacenense de Letras)

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