Ex-militar da Epcar que incendiou prédio e causou a morte de Thiago Faria e sua filha Helena vai para a prisão domiciliar

Crime aconteceu em março de 2020 no bairro São Geraldo, em Barbacena; familiares e amigos das vítimas pedem que a Justiça reconsidere a decisão

Paulo Emílio Gonçalves/Portal CB

O ex-oficial da Escola Preparatória de Cadetes do Ar (Epcar), José Ricardo Rossi dos Santos, conhecido como subtenente Rossi, responsável pelo incêndio que matou o jornalista e publicitário Thiago Faria Pupo Nogueira e sua filha Helena Gava Pupo de Faria (fotos), em março de 2020, vai para a prisão domiciliar depois de dois anos cumprindo pena em uma unidade prisional em Contagem, acusado de dano qualificado, homicídios tentados e consumados. O pedido de prisão domiciliar foi acatado nesta sexta-feira (01).

Ao saber da notícia de que o do ex-militar vai para a prisão domiciliar, a viúva de Thiago e mãe de Helena, Juliana Gava, publicou uma mensagem de protesto em uma rede social, onde afirma que “queria que fosse notícia fake do dia 1º de abril, mas não é”. Ao deixar a penitenciária, José Ricardo terá que usar uma tornozeleira eletrônica e ficar em casa até o julgamento pelo júri popular.

A decisão que favoreceu o ex-militar causou indignação não apenas aos familiares e amigos de Thiago Faria e Helena, mas também em grande parte da sociedade barbacenense. Nas redes sociais foram publicados diversos protestos em solidariedade à família e aos amigos das vítimas, que pedem que a Justiça reconsidere a decisão e que o julgamento de José Ricardo possa ocorrer o mais rápido possível.

Relembre o caso                                                       

O crime aconteceu no início da manhã de domingo, dia 15 de março de 2020. Após pegar a chave na mochila do filho, que estava dormindo, José Ricardo foi até o prédio onde morava a ex-mulher, na rua José Felipe Sad, bairro São Geraldo, em Barbacena, entrou na garagem e ateou fogo no carro da ex-esposa. O motivo, segundo as apurações na ocasião, foi porque ele não aceitava a separação.

Após incendiar o veículo, as chamas se propagaram e invadiram o prédio, onde também moravam, entre outras pessoas, Thiago, a esposa Juliana e a filha Helena, de apenas 4 anos de idade. A fumaça impediu que vários moradores conseguissem sair do prédio.

A pequena Helena não resistiu e morreu carbonizada no local. O pai dela, Thiago Faria, de 38 anos, teve 70 por cento do corpo queimados, foi hospitalizado em Barbacena e depois transferido para Belo Horizonte. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu no dia 12 de abril, quase um mês após o ocorrido. Além das duas vítimas fatais, o incêndio ainda deixou onde pessoas feridas.

No início das investigações, ainda durante os trabalhos do Corpo de Bombeiros, a polícia acreditava tratar-se de um incêndio acidental. Durante a tarde, através de imagens de câmeras de monitoramento de residências próximas, as autoridades policiais perceberam tratar-se de um incêndio proposital, causado pelo ex-oficial da Epcar.

José Ricardo foi preso no mesmo dia e confessou o crime. Ele foi expulso da instituição militar a até hoje cumpre pena em uma unidade prisional. Até o fechamento desta matéria ele ainda não tinha sido transferido para a prisão domiciliar.

Thiago Faria Pupo Nogueira era diretor e um dos fundadores do jornal Folha de Barbacena.

O ex-militar José Ricardo Rossi dos Santos deverá ir para a prisão domiciliar e usar tornozeleira eletrônica (Foto: Arquivo/Portal CB)

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