Jovem assassinado em Barbacena domingo passado foi mesmo alvejado pela PM

Crime aconteceu durante uma abordagem policial no bairro João Paulo II; durante a semana houve manifestação da comunidade local

A Polícia Civil (PC) confirmou nesta quinta-feira, 12, que o jovem Warlen Magno de Souza André, de 23 anos, que morreu no último domingo, 08, vítima de disparo de arma de fogo, foi atingido por um tiro no abdômen efetuado por um policial militar durante uma abordagem. O crime aconteceu no bairro João Paulo II, em Barbacena.

De acordo com o que foi apurado, o rapaz estava na garupa de uma moto guiada por um amigo quando foi atingido pelo disparo. A caminho do hospital, Warlen pediu para descer da moto e entrou na sede de um moto táxi, no bairro Grogotó, vizinho ao João Paulo II, para pedir socorro. Policiais militares foram ao local para socorrer o jovem, que foi levado às pressas para o Hospital Regional, onde não resistiu aos ferimentos e morreu ao ser atendido.

O crime revoltou a comunidade local, amigos e parentes da vítima, que fizeram protestos pela cidade durante a semana exigindo justiça. Com faixas e cartazes, eles exigiram, entre outras coisas, “uma polícia que nos defenda, e não uma assassina”.

O amigo de Warlen, o servente de pedreiro Fabiano Alves de Souza, mais conhecido como Boladão, que conduzia a moto, disse que quando cruzou com a viatura os policiais não deram nenhuma ordem de parada. Segundo ele, uma outra viatura teria sido avisada pela primeira para que abordasse a moto. Fabiano Boladão afirmou que o carro dos policiais foi pra cima deles e ele teve que fazer uma manobra para não colidir, e que nessa hora ouviu um barulho de tiro e Warlen avisou que havia sido atingido. Ferido, Warlen pediu para que Fabiano seguisse para o hospital, mas segundo declarou o condutor da moto, no trajeto o amigo solicitou para que ele o deixasse em frente ao moto táxi e saísse do local para não correr o risco de ser atingido também.

Warlen entrou na sede do moto táxi já sem forças e arrastando no chão. A cena foi registrada por câmeras de segurança instaladas no estabelecimento. A Polícia Militar (PM) foi acionada e conduziu a vítima para o hospital, onde morreu minutos depois.

O comandante do 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM), sediado em Barbacena, tenente coronel Ângelo Pádua, informou que na noite que Warlen foi morto, a PM recebeu duas denúncias de disparo de arma de fogo, uma no bairro Santa Luzia e outra no João Paulo II, onde o jovem foi alvejado. Pádua relatou que as equipes da PM estavam em alerta, pois segundo denúncias chegadas até a corporação, havia acontecido uma confusão após um jogo de futebol, onde torcedores de times rivais discutiram e que, inclusive, teria sido efetuado um disparo de arma de fogo para cima. O comandante do Batalhão afirmou que as viaturas saíram em rastreamento para apurar o que havia acontecido.

 

Militar se entrega

 

A PM informou que um dia após o crime, na segunda-feira, 9, o policial militar que efetuou o tiro que atingiu Warlen, que não teve o nome revelado, compareceu à sede do 9º BPM e assumiu a autoria do disparo. Segundo o comandante Pádua, os procedimentos já estão sendo realizados. Ele destacou que um inquérito policial militar já foi instaurado no dia do crime, e haverá também o inquérito da Polícia Civil com relação ao homicídio. Pádua informou ainda que os militares envolvidos no caso foram afastados das ruas até que todo o caso seja apurado e a verdade de como tudo aconteceu seja esclarecida.

A Polícia Militar enviou ofício ao Ministério Público (MP) e à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Barbacena, solicitando que os dois órgãos acompanhem as investigações.

A Polícia Civil informou que também instaurou inquérito na segunda-feira para apurar o crime, mas que o caso será encaminhado para Belo Horizonte por envolver policial militar.

Wlarlen foi atingido por um tiro no abdômen e morreu no hospital (Foto: Reprodução)
O amigo da vítima, Fabiano Boladão, que conduzia a moto, disse que não recebeu ordem para parar (Foto: Reprodução)
O comandante do 9º Batalhão, tenente coronel Ângelo Pádua, declarou que os militares envolvidos foram afastados da rua e que a PM instaurou inquérito para apurar a verdade (Foto: reprodução)
Moradores da região onde ocorreu o crime, familiares e amigos da vítima fizeram manifestação nas ruas da cidade exigindo justiça (Foto: Reprodução)
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