Polícia Federal está em Barbacena novamente para a segunda fase da operação ‘Desvia’

Investigações apuram fraudes em licitação, corrupção e desvio de dinheiro destinado a obras públicas

A Polícia Federal (PF) deu início nesta quinta-feira, 23, à segunda fase da operação “Desvia” em Barbacena. Desta vez, a ação da PF apura fraudes em licitação, corrupção e desvio de recursos federais que deveriam ser aplicados em obras públicas executadas pela Prefeitura Municipal.

As irregularidades teriam ocorrido entre 2013 e 2016, durante a gestão do ex-prefeito Antônio Carlos Doorgal de Andrada, o Toninho Andrada. De acordo com a PF, todas as obras investigadas estão inacabadas, apesar dos recursos federais terem sido liberados e ficado à disposição do Município.

A primeira irregularidade, segundo as investigações, é em relação ao convênio firmado entre a Prefeitura de Barbacena e o Ministério das Cidades para ampliação do sistema de esgoto sanitário, que previa a instalação de redes coletoras e de interceptores, bem como a construção das estações de tratamento de esgoto nas localidades do Galego e Retiro das Rosas.

O segundo caso se refere ao programa Academia da Saúde. O Ministério da Saúde repassou à Prefeitura recursos para a construção de academias ao ar livre nos bairros João Paulo II, Funcionários, Santa Efigênia, Pinheiro Grosso, Santa Luzia, Grogotó, São Francisco, Nove de Março, Nossa Senhora do Carmo, Santo Antônio, Monte Mário, distrito de Correia de Almeida e Colônia Rodrigo Silva.

No terceiro caso, as investigações estão voltadas para a construção ou reforma de quatro quadras poliesportivas nas escolas municipais Monsenhor Lopes, José Felipe Sad, Osvaldo Fortini e Coronel Camilo Gomes de Araújo. O convênio para execução destas obras foi firmado com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Duas delas estão paralisadas há mais de um ano e as outras inacabadas.

Além de Barbacena, as equipes da PF, da Controladoria Geral da União (CGU) e da Receita Federal do Brasil (RFB) estão atuando também nas cidades de Juiz de Fora, São João Del Rei, Piedade do Rio Grande, Carandaí e Belo Horizonte. O objetivo é cumprir 30 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região e pela 1ª Vara Federal de São João Del Rei.

Participam da segunda fase da operação “Desvia” 130 policiais federais, 18 auditores da CGU e 14 auditores da RFB. Os valores desviados da União ainda não foram divulgados.

Primeira fase da operação “Desvia”

A primeira fase da operação “Desvia” ocorreu na última terça-feira, 21, quando os agentes da Polícia Federal, da Controladoria Geral da União e da Receita Federal estiveram em Barbacena para apurar fraude em licitação, corrupção e desvio de dinheiro público do Programa Fortalecimento do Sistema Único de Saúde (estruturação de Unidades de Atenção Especializada em Saúde), nos anos de 2015 e 2016. Três pessoas foram presas, sendo dois empresários da região metropolitana de Belo Horizonte e uma funcionária da Prefeitura que trabalhava, na época, na Secretaria Municipal de Saúde.

De acordo com o que foi apurado, o Ministério da Saúde transferiu para a Prefeitura de Barbacena, em 2015, o valor de R$ 3,5 milhões para aquisição de 126 equipamentos hospitalares para o Hospital Regional e a Secretaria Municipal de Saúde adquiriu apenas 46 equipamentos com a verba enviada pelo Ministério. A Assessoria de Comunicação Institucional da Receita Federal do Brasil em Minas Gerais informou que houve um superfaturamento de R$ 1.402.106,59 na aquisição desses equipamentos hospitalares.

Funcionária da Prefeitura sai da prisão, mas perde o cargo

A funcionária da Prefeitura de Barbacena, Tereza Cristina Cruz Maranha, que foi presa pela Polícia Federal na terça-feira, 21, durante a primeira fase da operação “Desvia”, saiu da prisão na noite desta quarta-feira, 22, após ser concedido um habeas corpus. Ela foi exonerada do cargo em comissão que exercia atualmente na Secretaria Municipal Planejamento e Gestão (SEPLAN), onde atuava como gerente de materiais e patrimônio da saúde. A exoneração foi publicada ontem no Diário Oficial do Município.

Tereza Cristina é acusada de ter carimbado e assinado, no final do ano de 2016, nota fiscal fria simulando o recebimento de um Cromatógrafo (aparelho automatizado de cromatografia líquida de alta pressão HPLC), destinado à realização de exames laboratoriais. O valor de aquisição do aparelho foi de cerca de R$ 656 mil, superando em mais de 600% o valor original de R$ 90 mil proposto pelo Ministério da Saúde.

A ex-funcionária da SEPLAN ficou presa temporariamente na ala feminina do CERESP de Juiz de Fora.

Tereza Cristina Cruz Maranha é acusada de ter carimbado e assinado nota fria (Foto: Reproução/WhatsApp)
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